sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Lá no Morro



“Se você não passa no morro, eu quase morro, eu quase morro...”- Tribalistas

Ficar sentado na calçada admirando o horizonte. Deixar os olhos se entorpecerem com os raios coloridos. Respirar fundo o ar fresco e suave. Ouvir a canto do rouxinol. Não se importar com a política ou com o dia de amanhã. Deixar tudo acontecer, simplesmente acontecer.

Apreciar cada segundo de nossa existência. Enxergar a pureza da vida numa pequenina formiguinha. Dar um beijo de bom dia, dar um abraço de amizade, trocar olhares de paixão. Ficar pelado como índio. Índio que na sua oca sorri para uma simples borboleta.

Que exalta louvores pela árvore, homenageia a chuva fina e que agradece a existência do coelho. Coelho astuto. Que torna sua vida eficiente. A vida que passa ligeiramente. Que perdemos na contramão. E para não desviar, carregar um pé de coelho para sorte dar. Sorte de poder ficar sentado na calçada admirando o horizonte. De ficar observando a alvorada.

“Alvorada lá no morro, que
beleza. Ninguém chora, não há tristeza.
Ninguém sente dissabor...”– mestre Cartola

“Passam pássaros e aviões. E no chão os caminhões.
Passa o tempo, as estações. Passam andorinhas e verões...”– Tribalistas

Não há nada pior que a saudade. Existe a saudade do
tempo que já se foi, a saudade de algo que se dissipou, das palavras que o vento levou. Existe a saudade de algo que não existiu. E existe uma saudade muito gostosa, de alguém que a gente ama. Uma saudade que carrega um arrocho no peito. Uma saudade de estarmos sozinhos há muito tempo, ou uma saudade tão maluca que nos deixa nas nuvens da loucura do amor.

A saudade que nos aperta fundo. A saudade de estar com você lá no morro. A saudade de te abraçar na mais bela alvorada. Vejo-te hoje cedo e já sinto saudades à tarde. Beijo-te à noite e acordo com uma saudade imensa de manhã.


“O sol colorindo é tão lindo, é tão lindo.
E a natureza sorrindo, tingindo, tingindo...”– mestre Cartola

Mas o que me resta é tão pouco. Venha ao morro. Embrenhe o lábio sobre as curvas, deleite-se com cada segundo da vida.

Na varanda, sente, relaxe, e tome um cafezinho.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Profonde pensée

"A Loucura é sagrada, a vista uma ilusão" - Heráclito, frag. 46


.:Profonde pensée pour Camille Claudel:.



Que saia o sol na paisagem
por Juscelino Vieira Mendes

Não será o choro um filme?
Cenas pretéritas em transe
E as lágrimas o morrer?
Concretude em gotas...

Se morrer quisesse, morreria?

Tal poder não tendo
O arrepender-se
Se faz presente na ausência querida do ser
Por que se deseja uma canção triste?


Cão Andaluz1
Em surrealismo poético da vida
Timorense:Tetum, montanhas, sândalo,
Ouro negro, mármore azul,
Catarata de sangue nos rios
Restos de ternura boiando
Florestas menstruadas
Corações nunca escravos
Para o amanhecer de primavera
Desiderato de uma nação
Plantada na copa sombria das árvores.
Que saia o sol na paisagem
Ensolarada de um país.


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1Primeiro filme de Luis Buñuel, "Un Chien Andalou", 1928.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

rastreie sua identidade: quem é você?

sábado, 8 de setembro de 2007

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

www.fatosdavida.com

esqueceu qual era o www
não pode entrar na sala
ficou no corredor da morte
no leito do hospital público
se cobriu com um jornal para parar de tremer
tinha uma manchete na página dois
dizia algo sobre uma festa
uma festa lá no parlamento
e falava sobre a champagne distribuída
a champagne de 500 dólares

esqueceu o que vinha depois do arroba
não pode enviar seu pedido de socorro
o grito ficou mudo
o homem fechou a janela ignorando
a velha fez de conta que mudava a estação do rádio
a moça passou até no sinal vermelho
e acabou batendo o carro
muitas horas depois foi levada para o corredor da morte
no leito do hospital público
e roubou de outra pessoa um jornal
e se cobriu para parar de tremer
tinha um anúncio nos classificados da página quatro
dizia algo sobre uma festa
com 500 ólares pode escolhera mulher que quiser
a festa tem até 20 mulheres por noite
de um lado a orgia
do outro a agonia da dor e do frio

esqueceu o login do msn
não pode falar com o guri
não pode descobrir a resposta de onde viemos
e nem para onde vamos
muito menos quem somos
e ficou apenas em um bato-papo qualquer
o guri de lá não era tão sábio
e não sabia responder quem somos
e ele ficou desesperado
jogou a latinha de cerveja no monitor
tomou um choque
tripidou, tremeu e virou os olhos
alguém ouviu a loucura
chamou o resgate
um dia depois foi levado para o corredor da morte
no leito do hospital público
e roubou da moça um jornal
e se cobriu para parar de tremer
tinha uma charge na contracapa
dizia algo sobre uma festa
com 500 dólares pode sair ileso da cpi e ainda rir
a festa tem até o indiciado do bingo
de um lado ele pensava em jogar
gastar os 500 dólares em fichas de um caça-níquel
do outro a agonia da dor e do frio

e esqueceu de fazer o log-off
e todo mundo pôde acessar suas informações pessoais
e entraram na sua conta do banco
e roubaram seus míseros 500 dólares
e riram
riram debaixo de um cobertor no corredor de uma mansão
uma mansão com aquecimento digital
e leram no jornal que haviam ganho mais 500 dóleares
em um jogo da loteria
e deram uma festa
tinha orgia
tinha caça-níquel
tinha champagne
e não tinha nehuma agonia

sábado, 25 de agosto de 2007

letras na coluna de óbito do jornal?


o que queremos?
para onde precisamos ir?
será que abriremos a porta certa?
será que encontraremos o coelho branco?
ou será que vamos apenas sentar e ficar atados por toda eternidade?
o que queremos?

quem somos?
letras na coluna de óbito do jornal?
um sobrenome na folha do talão de cheque?
uma foto na carteira de habilitação?
uma digital marcada no vidro de uma garrafa de vinho?
quem somos?

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

uma nova identidade

será que ainda teremos dúvidas de quem somos?

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

questão de etiqueta



vai chegar o dia em que teremos que nos identificar?